Trabalhos remotos e a adaptação dos Conselhos federais e regionais

Muitas profissões já vêm se adaptando a novos formatos há muitos anos. Empregos relacionados a áreas de tecnologia, comunicação e educação migraram para a plataforma digital, onde muitas vezes possuem mais exposição, audiência e clientes.

É o caso, por exemplo, de jornalistas, que escrevem dezenas de artigos, matérias e entrevistas por semana para os inúmeros sites, portais e blogs da internet. Ou então, de radialistas, que compartilham seu conteúdo em plataformas de streaming e podcast, ou então criam suas próprias webrádios, angariando anunciantes e tirando-os de famosas estações.

A educação é uma das áreas que mais sofreram alterações nos últimos anos, especialmente pelo surgimento e crescimento do Ead que, segundo o Ministério da Educação (MEC), teve um número maior de ofertas de vagas que o ensino presencial em universidades no ano de 2018.

Outras atividades, porém, talvez pelo caráter mais tradicional, tanto da própria área, quanto dos responsáveis pelo setor, até 2020 não haviam liberado o atendimento ao público de forma remota, por telefone ou online. São os casos da medicina, da nutrição e da psicologia, por exemplo.

Porém, desde que os profissionais dessas áreas foram proibidos de exercer as atividades em consultórios e clínicas por conta da pandemia do coronavírus, os conselhos federais se viram obrigados a autorizar o exercício da profissão remotamente.

Foi o que aconteceu com o CFN, que é o Conselho Federal de Nutricionistas, que de forma extraordinária autorizou o atendimento não presencial, em decisão publicada em março de 2020. A resolução é válida até o fim de agosto deste ano. Para esses profissionais, só o retorno era permitido à distância. Com essa autorização, o paciente já pode receber atendimento logo na primeira consulta.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) também autorizou que seus profissionais atendam ao público durante o período de quarentena, também válido até agosto. O colegiado, inclusive, disponibilizou um cadastro nacional para que os profissionais registrados possam trabalhar, o e-Psi para atendimento online.

Desautorizada no país em 2019, a telemedicina foi possibilitada em março deste ano pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que também reconheceu a necessidade da realização de atendimentos e consultas online utilizando recursos como Skype ou chamadas de vídeo do WhatsApp, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde.

Não há mais como nadar contra a corrente. As pessoas perceberam que podem comprar pela internet sem sair de casa, estudar, trabalhar, praticar atividade física, e agora, realizar consultas com excelentes profissionais, também do sofá da sala, muitas vezes por um preço reduzido, já que o nutricionista, psicólogo ou médico podem, igualmente, trabalhar de casa ou de um lugar que não vai dispensar muitos custos para ele.

Ibrahim Gustavo é jornalista, escritor e educador, Pós-graduado em MKT e MBA em Comunicação e Mídia

Publicado às 12h42

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